Sofro porque amo.
Parece que sonhar cria mais desilusão do que estava à espera.
Um ser individual não consegue atingir sonhos que sejam um estereótipo na sociedade.
Sofro porque amo quem se desilude.
Queria voltar atrás e ter mudado mil palavras, mil acções. Mas não consigo. E não consigo escrever, não tenho a habilidade de dizer o que sinto por palavras. Receio que a vida seja uma mera passagem, sem nenhuma importância. Já me custa as poucas forças que tenho, as vontades que acabam por falta de confiança. Não é fácil e nunca será. Nunca será fácil ter sonhos que ultrapassem o amor, que ultrapassem as dificuldades vividas.
Asfjsdgsjdpgpsd, malditos sonhos... Adiante.
Sinto facas nas costas, o mundo gira em constante velocidade enquanto os meus pensamentos viajam por linhas tortas. Passo a vida a tropeçar nessas linhas, os sonhos tiram-me a força das pernas e acabo por cair sem esperança de um futuro melhor.
Percebo que os dias demoram a passar, as obrigações são difíceis de cumprir. Elas não são minhas, não me pertencem, não retiram qualquer tipo de felicidade em mim. É uma nódoa negra e não passa. Já nem consigo tentar apagar esse buraco da minha vida, já não tenho forças para acordar e fazer o que não me realiza. Demorei anos a tentar perceber que a força para seguir em frente vinha só de mim. E bastavam meras palavras e discursos, alguns difíceis de manusear, para abrir uma porta aos sonhos.
Sonhar alto não é demais. Fartei-me das pessoas que causaram uma mágoa de achar os sonhos impossíveis. Ninguém no mundo deve ter a capacidade para abalar os sonhos de alguém.
Utilizo a palavras sonhos, sem a esconder, porque não há outra palavra no mundo que esteja tão presente em mim.
Karen - Amo-te porque parece que os dias não acabam se não estiver contigo. É como uma avalanche de emoções, tudo parece destruído quando não estás ao meu lado.
John - Eu sei. O amor parece difícil de interpretar. Por vezes esqueço que sinto amor.
Karen - Eu entendo. Eu passei muitos dias, quieta, sentada na minha sala a tentar separar cada peça e interpretar o que sentia. O amor fez-me duvidar do amor. Acho que nunca senti esse sentimento. Acaba por ser difícil de saber quando ele realmente aparece.
John - Mas porque sofremos tanto? Porque sinto dificuldades em dizer que te amo? Porque tenho de acordar e sentir uma pedra no coração, porque os sentimentos não fluem da mesma forma que vejo isso em ti. Sinto-me indiferente e uma mágoa enorme porque sinto. É estranho, não é?
Karen - De certa forma, sim. Mas não podes deixar que isso tire as tuas capacidades de interpretação individual. Tu és quem és e sentes. Eu sei que o sentes quando estás comigo. Tens, de facto, algumas dificuldades em admitir os sentimentos. Isso deve-se simplesmente à falta de partilha de amor quando eras mais jovem.
John - O amooooor... Não me lembro sequer de amar. Não quero sentir-me culpado deste buraco sentimental.
Karen abraça o John. Diz-lhe ao ouvido que não importa a sua dificuldade de sentir.
7:00 da manhã. Mãe de John liga.
Josely - Olá amor. Vi a tua chamada ontem. Está tudo bem?
John - Olá mãe. Ainda não acordei. Sinto-me um pouco abalado com o sono. Mas está tudo bem. Senti-me em baixo porque passei o dia sem actividade. Acho que não consigo passar um dia sem fazer nada.
Josely - É verdade. Eu tenho reparado na tua dificuldade em viver dessa forma. Mas sabes que posso aparecer na tua casa sempre que quiseres. E podes ligar-me também.
John - Sim, mãe. Está tudo bem. E tu, como estás?
Josely - Vou sempre estar bem quando tu estás bem.