terça-feira, 29 de março de 2016

Desigualdades, até quando?

Desigualdades, até quando?
Portugal está a passar por várias mudanças com a aprovação do Orçamento de Estado, estamos a caminhar para a única evolução económica que poderá travar as desigualdades sociais existentes.
Existem vários tipos de pobreza e sabemos que no nosso país há casos em que esta é extrema, casos de desespero que são engolidos por um ciclo vicioso que acaba por se tornar impossível de romper. São inúmeras as dificuldades sentidas pelas famílias que fazem com que os casos de pobreza se multipliquem, como as baixas qualificações, a discriminação social, o abandono escolar, a carência de recursos básicos sentida por tantas famílias, o emprego precário e mal remunerado e a toxicodependência. Todos estas adversidades são encontradas na nossa sociedade e têm de ser encarados da forma mais direta possível, para construirmos um pensamento de mudança capaz de chegar a estas pessoas.
É difícil ter a noção de como vivem estas famílias quando somos desconhecedores de todas as realidades do país e quando temos um sistema político e uma comunicação social que querem que assim continuemos a ser. No entanto, é um facto que se não houver luta para que haja um acesso público e de qualidade à saúde e à educação, uma redução do desemprego, um aumento salarial e a proteção de todos os direitos dos trabalhadores, não conseguiremos cortar o mal pela raiz e destruir este ciclo vicioso de pobreza. E não basta só combater a pobreza, é preciso, antes de mais e para que o consigamos fazer, extinguir as desigualdades sociais!
Como é que podemos ter cidadãos e cidadãs felizes, se existe uma desigualdade monstruosa de rendimentos e oportunidades? Não deveria ser aceite a existência de famílias sem capacidade financeira para aquecerem a sua casa e outras com capacidade para aquecerem mais de metade das casas do nosso país.
A desigualdade social está ligada a várias questões sociais que afetam a sociedade, como por exemplo, a obesidade, doenças mentais, violência, gravidez na adolescência, desempenho e interesse escolar, entre outras, e estes fatores não estão diretamente relacionados com o nível de riqueza do país. Este tipo de situações incidem principalmente nas famílias com menos oportunidades de acesso a necessidades básicas económicas. Mas não nos deixemos enganar, porque todos estes problemas não só afetam apenas as classes mais desfavorecidas, afetam também toda a sociedade que acaba por ficar prejudicada por toda esta desigualdade. Para além disso, falta a preocupação pela classe média que aparentam estar bem, no entanto, estão a sofrer imenso. Se continuarmos assim vamos a caminho de duas classes: a baixa e a alta.  
Se queremos um país evoluído, um país onde todos podemos ser felizes, com as mesmas oportunidades para conseguirmos gerir as nossas vidas e ter acesso a bens e serviços de igual forma, não podemos ficar conformados com as discrepâncias que vemos à frente dos nossos olhos. Há que lutar pela mudança e para sermos uma sociedade com voz ativa, pronta lutar contra o que tornou o nosso país um lugar com menos esperança. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Trabalho limpinho



Gostava de ter palavras para descrever esta foto, mas ela fala por si. A imagem, obviamente, fala do trabalho limpo que a Maria Luís Albuquerque faz. Ninguém questiona. Vá, coitada.

Em que planeta vivemos?


Em que planeta vivemos? 

A situação ambiental preocupa-me a cada dia que passa. Já perdi a conta das notícias que falam da destruição do nosso Planeta e continuo a observar uma sociedade capitalista que não muda de estratégia e só vê o lucro à frente dos seus olhos. Não basta sabermos que a temperatura média do Planeta aumenta de século para século? Não basta termos registado um número recorde do aumento do nível do mar? Não basta sabermos que há lagos evaporados pelo Mundo? Não basta sabermos das milhões de pessoas que morrem por ano com a poluição no ar? Não basta termos estes factos para deixarmos de orientar a espécie humana e animal para o abismo com tanta preocupação num modelo de mercado?

Este sistema capitalista está pouco preocupado com a atividade ambiental, visto que os seus maiores prazeres são a obsessão de uma lógica neoliberal pelo lucro e a produtividade, nem que isso implique o uso sistemático de recursos que infelizmente, já não são muitos. O uso excessivo destes recursos está a causar problemas graves no presente, já para não falar das gerações futuras, para as quais as esperanças começam a ficar cada vez mais escassas. 

O ecossocialismo é uma maneira que pretende formar a sociedade para o combate ao capitalismo e a criação de mecanismos económicos e sociais para novas e melhores alternativas. Alternativas ao mercado, à competitividade e o lucro. Combater a globalização capitalista neoliberal é um objetivo que não tem apenas como alvo as pessoas mais necessitadas, mas visa a alcançar todos aqueles que pensam no seu futuro e no dos outros que ainda está para vir.

É verdade que a racionalidade capitalista e ecológica são antagónicas. No entanto, há soluções/alternativas para proteger o nosso Planeta e a qualidade de vida. Estas passam por uma mudança na mentalidade da sociedade, para a diminuição da emissão de gases de estufa, o combate ao desperdício energético, transformar o modelo de produção, uma maior utilização de transportes públicos, conservação da natureza, uma boa gestão dos resíduos e das potenciais emissões das suas partículas, lutar contra a construção de barragens em zonas protegidas, proteger os animais, reabilitar territórios… As alternativas não acabam. São muitas as que podem mudar o nosso futuro e essas notícias que tiram a esperança desta sociedade desprotegida. 


Se ninguém se preocupa, quem se preocupará? 

Refugiados: combater o preconceito

É culpa do medo que é transmitido pelos media e atores políticos, numa lógica de apresentar mil desculpas que nos fazem acreditar que essas pessoas não merecem o acesso aos seus direitos. Direitos à vida e a uma vida com direitos.
Nenhum dos principais responsáveis políticos quer receber a responsabilidade do problema. Pretendem deixar a batata quente para outro e o ciclo continua. Ou seja, a Europa pretende passar a imagem que está demasiado fragilizada para receber refugiados. Não querem estar à espera, porque simplesmente não querem estar à espera.
Todos os dias chegam dezenas, senão centenas de refugiados, que assumem o risco da vida e da morte. Os barcos que as transportam representam em si mesmo um perigo para as suas vidas. E fazem-nos porque não têm outra opção. Muitos deles são médicos, professores, engenheiros, estudantes e advogados. E estamos a falar dos que chegam cá vivos. A aventura só aqui começou. Já na Europa, encontram uma fronteira isolada onde sofrem abusos e acabam por ser despejados novamente no mar. Não têm escolha e acabam por morrer por falta de meios de sobrevivência ou então, afogados.
À medida que o tempo passa e a Primavera se aproxima, o número de refugiados aumenta significativamente e a Europa tem de estar mobilizada para abraçar este problema. É necessário que deixe de existir uma falta de vontade política para ajudar. Relembrando que os refugiados não são apenas números, são pessoas que precisam de ajuda e sofrem todos os dias para conseguirem ser felizes. Se os refugiados fossem terroristas, não fugiam da terra do terror.
E é por isso, que temos de colocar algumas questões a nós próprios, perguntar porque razão há milhares de pessoas que arriscam e pressionam a sua vida num barco para sair do seu país. Não há dúvida que o país onde nascemos é o porto seguro. Mas quando há mais que a vontade, mas sim, a necessidade de sair é porque há razões válidas para que isso aconteça. Estas não pessoas não emigram, fogem à guerra e à ameaça de morte. Perguntar se essas pessoas não têm o mesmo direito que nós. O direito à vida não tem de ser questionável, num mundo onde ninguém devia ser estrangeiro.
A Europa continua a receber um nicho muito pequeno de refugiados comparado com o Líbano (1,1 milhões), Jordânia (>600 mil) e Turquia (2,2 milhões). Apenas 1 milhão de refugiados estão inseridos na Europa. Por isso, a ideia que a Europa recebe muitos refugiados é apenas uma fraude transmitida pelos meios de comunicação social para amenizar o problema. Os refugiados estão alojados, maioritariamente, em países subdesenvolvidos.
Em relação a Portugal, não chega a informação sobre a existência do nosso país e acaba por não ser uma opção para os refugiados que lutam com o objetivo de se dirigirem para a Grécia. Em primeiro lugar, para os recebermos temos de perceber qual a sua vida e o seu quotidiano e olhar de frente para a crise humanitária que não pára de crescer. Portugal acaba por ficar disfarçado, por ser um país mais escondido da Europa e acaba por não fazer grandes ações em relação a esta crise. Há que fazer com que os refugiados não se registem na Alemanha e venham para Portugal, fazer propostas para uma mudança da lei de asilo. A lei de asilo não permite que essas pessoas possam trazer familiares e só um trabalho de proximidade abre a possibilidade de recriar laços familiares e culturais.
Os refugiados instalados em Portugal, vivem debaixo de uma pedra e quando chega o fim dos anos que a lei permite, acabam por sair do país porque não garantem os direitos que têm direito. Não houve, nem há um plano de integração social. E onde falta um plano, o CPR (Conselho Português para os Refugiados) não dá resposta eficaz ao problema. A língua é provavelmente o maior obstáculo ao qual estão sujeitos, porque não conseguem arranjar um emprego sem saberem falar português e quando recebem cartas das finanças, por exemplo, não percebem o que está lá escrito. A maior parte das dívidas dos refugiados são as dívidas de alojamento.
É revoltante saber que os refugiados desesperadamente esperam conseguir outras soluções para além do estatuto de refugiado e a burocracia e a falta de vontade na Europa barram-lhes os direitos. A mudança política na Europa tem de ser já. Lutar pela igualdade de direitos humanos é uma luta por eles e por nós. A História da Europa é feita de migrações, refugiados, guerras e paz. Não estamos isentos de culpas no cartório nem livres de crises internas e fantasmas do passado. Na Europa e no mundo ninguém pode ser estrangeiro. Somos todos cidadãos. Ninguém tem de ser recusado a esse direito. Consciencializar para combater o preconceito.

*Artigo publicado no Esquerda.net

Um paraíso fiscal

Sobre a participação da Mariana Mortágua na AR, “Os mais ricos em Portugal pagam menos imposto que a classe média”, eu quero fazer um breve comentário sobre este assunto. Vi pessoas a pronunciarem-se sobre o assunto dizendo que o governo não pode fazer grande coisa e que estes homens das grandes empresas que nem se chateiam muito com o assunto, porque entretanto pegam no seu dinheiro e levam para sociedades na Holanda, os tão polémicos offshores.Como assim o governo não pode fazer nada em relação a este problema? É uma verdade absoluta que o antigo governo promoveu leis que pudessem ajudar estas grandes empresas a mandarem as suas perdas e lucros para sociedades na Holanda. E com isso… Temos a fuga aos impostos. Fuga essa que faz quase 500 milhões de euros que podiam vir para o Estado e financiar funções neste país que estão em défice e precisam de uma reestruturação. O nosso país pode ter algumas soluções para os problemas, se essas fossem do interesse de pessoas que se preocupam com a sociedade no geral e não em colocar mais uns milhões para os seus bolsos. E depois, é claro, temos que colocar mais capital para as empresas conseguirem seguir em frente, mas há essas leis que protegem o planeamento fiscal e a fuga ao fisco. Como assim não podemos fazer nada para mudar? Em primeiro lugar, devia haver uma mudança dessas leis. Não há motivo económico para a maior parte das grandes empresas terem sociedades na Holanda se não têm nenhuma actividade em curso lá. Não faz sentido nenhum que haja amnistias fiscais que sejam legais e que apareçam normalmente em momentos bastante interessantes. São pontos que nos fazem questionar sobre o rumo e o estado do nosso país. Não se pode falar de equidade fiscal, quando não existe igualdade em pequenas e grandes empresas, em pequenos e grandes contribuintes. Existe uma desigualdade que faz com que pessoas de classe média e baixa tenham de pagar os seus impostos, como deve de ser, e que milionários de grandes empresas possam ter mais uns milhões na conta. É injusto. E não é essa a sociedade que devemos ter. Tem de existir uma mudança. Uma mudança radical que faça com que haja uma igualdade entre classes e não a corrupção que tem existido neste país. Queremos que não hajam empresas-fantasmas que peguem nos seus lucros e perdas para meter em offshores. Alias, queremos que essas empresas sejam descobertas. Que haja uma investigação maior para que isso não aconteça.Por isso, não venham dizer que o governo não pode fazer nada. Pode e deve. Mas infelizmente, os interesses das pessoas com mais influência neste país perdura e não há a preocupação de ajudarmos quem realmente necessita. Quem tem de pagar sempre os impostos e no fim, é roubado pelo governo em salários, pensões, na cultura e na educação. Não faz sentido e só não vê quem não quer ver ou mudar. 

É para ser 100 medos

Depois de uns anos a escrever textos lamechas para blogs, decidi criar um espaço que engloba todos os meus textos de opinião sobre este mundo que parece-me, desprotegido. Um espaço para liberdade de expressão, de imagens que falam, de textos que fazem pensar ou revoltar.
Aqui vai.

P.S.: Deixo já alguns textos escritos do outro blog.