quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A arte explode-me nas veias, nos poros, em todas as extremidades do meu corpo.
E, apesar das adversidades, não consigo deixar de amar o que me faz sentir todas as emoções.
É difícil escrever sobre o que sinto, ainda não consigo decifrar tudo o quero e sou, mas aqui vai. 

As pessoas sofrem constantemente com o sofrimento alheio. Vivem sempre com vontade de serem quem não são, vivem pressionadas por uma sociedade adulterada e acabam, desanimadas, por serem outros que não eles. Percebi dessa ilusão muito cedo, percebi na minha frágil e influenciável destorcida personalidade. Deixei de saber o que realmente amava, o que me fazia explodir de felicidade. Refugiei-me num espaço muito digno, talvez excêntrico, da minha alma, afastando-me de um mundo cheio de palavras feitas e pensamentos pré-estabelecidos. Senti-me num redemoinho negro de quereres e sonhos, algures coloridos pela imaginação fértil e o amor.
Nada é mais puro que o meu amor pela arte. Nada consegue fazer-me sentir viva e com vontade de mudar o mundo.
Vocês podem entender que a minha vida não é fácil. Vivo em constante contradição com situações que o dinheiro não paga. Mas é só nos momentos de solidão, nesta casa sem qualquer tipo de alegria, que percebo a vida desperdiçada, o quanto amo, o quanto recuei nos meus sonhos.
Posso estar enganada, posso sempre estar enganada. Não há nada garantido, pode-se acabar em segundos, começar em outros. A verdade é que coloquei-me numa posição de vitórias e batalhas sangrentas com o meu ser. Se ainda não aconteceu foi pelas facas que espeto no meu coração, estas malditas escolhas que me atormentam diariamente.
E escrevo, principalmente, porque encontro-me sozinha sem forma de expressar estes mil pensamentos de agonia, felicidade, ansiedade e amor. Tantas e tantas vezes que a guitarra é um auxílio à minha dor, expressada pela voz rouca de gritos silenciosos, numa noite escura e luz apagada, em músicas de passo lento e um swing leve.
Passei a ser exigente com as próprias músicas que cantava e ouvia, os meus sentimentos não eram aliados da popularidade musical. Descobri-me diferente de uma maioria privilegiada, uma descoberta cheia de dissabores e alívios em erupção. É lindo quando conhecemos mais uma parte do que somos, assentar mais um pé na Terra que isto já estava meio para o desequilibrado. Estava quase a cair num rio de lama ardente quando descubro uma estrada um pouco mais firme, mas sempre, sempre com alguns desvios dolorosos. Chorei pouco com a dor de não amar. Habituei(-me) a conformar-me com o que achava que era, com o que tinha ou devia ser.
Mas acordei. Acordei com a espada tirada do meu peito, uma ferida para sarar e uma nova vida.

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