quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sofro porque amo.
Parece que sonhar cria mais desilusão do que estava à espera.
Um ser individual não consegue atingir sonhos que sejam um estereótipo na sociedade.
Sofro porque amo quem se desilude.
Queria voltar atrás e ter mudado mil palavras, mil acções. Mas não consigo. E não consigo escrever, não tenho a habilidade de dizer o que sinto por palavras. Receio que a vida seja uma mera passagem, sem nenhuma importância. Já me custa as poucas forças que tenho, as vontades que acabam por falta de confiança. Não é fácil e nunca será. Nunca será fácil ter sonhos que ultrapassem o amor, que ultrapassem as dificuldades vividas.

Asfjsdgsjdpgpsd, malditos sonhos... Adiante.

Sinto facas nas costas, o mundo gira em constante velocidade enquanto os meus pensamentos viajam por linhas tortas. Passo a vida a tropeçar nessas linhas, os sonhos tiram-me a força das pernas e acabo por cair sem esperança de um futuro melhor.
Percebo que os dias demoram a passar, as obrigações são difíceis de cumprir. Elas não são minhas, não me pertencem, não retiram qualquer tipo de felicidade em mim. É uma nódoa negra e não passa. Já nem consigo tentar apagar esse buraco da minha vida, já não tenho forças para acordar e fazer o que não me realiza. Demorei anos a tentar perceber que a força para seguir em frente vinha só de mim. E bastavam meras palavras e discursos, alguns difíceis de manusear, para abrir uma porta aos sonhos.
Sonhar alto não é demais. Fartei-me das pessoas que causaram uma mágoa de achar os sonhos impossíveis. Ninguém no mundo deve ter a capacidade para abalar os sonhos de alguém.

Utilizo a palavras sonhos, sem a esconder, porque não há outra palavra no mundo que esteja tão presente em mim.


Karen - Amo-te porque parece que os dias não acabam se não estiver contigo. É como uma avalanche de emoções, tudo parece destruído quando não estás ao meu lado.

John - Eu sei. O amor parece difícil de interpretar. Por vezes esqueço que sinto amor.

Karen - Eu entendo. Eu passei muitos dias, quieta, sentada na minha sala a tentar separar cada peça e interpretar o que sentia. O amor fez-me duvidar do amor. Acho que nunca senti esse sentimento. Acaba por ser difícil de saber quando ele realmente aparece.

John - Mas porque sofremos tanto? Porque sinto dificuldades em dizer que te amo? Porque tenho de acordar e sentir uma pedra no coração, porque os sentimentos não fluem da mesma forma que vejo isso em ti. Sinto-me indiferente e uma mágoa enorme porque sinto. É estranho, não é?

Karen - De certa forma, sim. Mas não podes deixar que isso tire as tuas capacidades de interpretação individual. Tu és quem és e sentes. Eu sei que o sentes quando estás comigo. Tens, de facto, algumas dificuldades em admitir os sentimentos. Isso deve-se simplesmente à falta de partilha de amor quando eras mais jovem.

John - O amooooor... Não me lembro sequer de amar. Não quero sentir-me culpado deste buraco sentimental.

Karen abraça o John. Diz-lhe ao ouvido que não importa a sua dificuldade de sentir.

7:00 da manhã. Mãe de John liga.

Josely - Olá amor. Vi a tua chamada ontem. Está tudo bem?

John - Olá mãe. Ainda não acordei. Sinto-me um pouco abalado com o sono. Mas está tudo bem. Senti-me em baixo porque passei o dia sem actividade. Acho que não consigo passar um dia sem fazer nada.

Josely - É verdade. Eu tenho reparado na tua dificuldade em viver dessa forma. Mas sabes que posso aparecer na tua casa sempre que quiseres. E podes ligar-me também.

John - Sim, mãe. Está tudo bem. E tu, como estás?

Josely - Vou sempre estar bem quando tu estás bem.
A arte explode-me nas veias, nos poros, em todas as extremidades do meu corpo.
E, apesar das adversidades, não consigo deixar de amar o que me faz sentir todas as emoções.
É difícil escrever sobre o que sinto, ainda não consigo decifrar tudo o quero e sou, mas aqui vai. 

As pessoas sofrem constantemente com o sofrimento alheio. Vivem sempre com vontade de serem quem não são, vivem pressionadas por uma sociedade adulterada e acabam, desanimadas, por serem outros que não eles. Percebi dessa ilusão muito cedo, percebi na minha frágil e influenciável destorcida personalidade. Deixei de saber o que realmente amava, o que me fazia explodir de felicidade. Refugiei-me num espaço muito digno, talvez excêntrico, da minha alma, afastando-me de um mundo cheio de palavras feitas e pensamentos pré-estabelecidos. Senti-me num redemoinho negro de quereres e sonhos, algures coloridos pela imaginação fértil e o amor.
Nada é mais puro que o meu amor pela arte. Nada consegue fazer-me sentir viva e com vontade de mudar o mundo.
Vocês podem entender que a minha vida não é fácil. Vivo em constante contradição com situações que o dinheiro não paga. Mas é só nos momentos de solidão, nesta casa sem qualquer tipo de alegria, que percebo a vida desperdiçada, o quanto amo, o quanto recuei nos meus sonhos.
Posso estar enganada, posso sempre estar enganada. Não há nada garantido, pode-se acabar em segundos, começar em outros. A verdade é que coloquei-me numa posição de vitórias e batalhas sangrentas com o meu ser. Se ainda não aconteceu foi pelas facas que espeto no meu coração, estas malditas escolhas que me atormentam diariamente.
E escrevo, principalmente, porque encontro-me sozinha sem forma de expressar estes mil pensamentos de agonia, felicidade, ansiedade e amor. Tantas e tantas vezes que a guitarra é um auxílio à minha dor, expressada pela voz rouca de gritos silenciosos, numa noite escura e luz apagada, em músicas de passo lento e um swing leve.
Passei a ser exigente com as próprias músicas que cantava e ouvia, os meus sentimentos não eram aliados da popularidade musical. Descobri-me diferente de uma maioria privilegiada, uma descoberta cheia de dissabores e alívios em erupção. É lindo quando conhecemos mais uma parte do que somos, assentar mais um pé na Terra que isto já estava meio para o desequilibrado. Estava quase a cair num rio de lama ardente quando descubro uma estrada um pouco mais firme, mas sempre, sempre com alguns desvios dolorosos. Chorei pouco com a dor de não amar. Habituei(-me) a conformar-me com o que achava que era, com o que tinha ou devia ser.
Mas acordei. Acordei com a espada tirada do meu peito, uma ferida para sarar e uma nova vida.